A Lituânia ocupa 65.284 quilômetros quadrados na costa oriental do mar Báltico, no norte da Europa, sendo o mais meridional e o maior em área dos três Estados bálticos. Faz fronteira com a Letônia ao norte, Belarus a leste e sudeste, Polônia a sudoeste e a região russa de Kaliningrado a oeste, enquanto sua costa báltica fica diante da Suécia, do outro lado do mar. Vilnius, a capital, fica no interior, no sudeste. O país é predominantemente baixo e suavemente ondulado porque sucessivas glaciações do Pleistoceno moldaram suas planícies, morenas, lagos e vales fluviais arenosos. A Planície Central da Lituânia separa os terrenos mais elevados da Samogícia ocidental das terras altas do Báltico e de Medininkai, a leste e sudeste; Aukštojas, perto da fronteira com Belarus, alcança 293,84 metros. O Nemunas, principal rio da Lituânia, atravessa o sul e o oeste antes de desaguar na Lagoa da Curlândia, separada do Báltico pelo estreito Istmo da Curlândia, ladeado por dunas.
A Lituânia situa-se na transição de latitudes médias entre influências climáticas marítimas e continentais, de modo que as condições se tornam mais oceânicas em direção a Klaipėda e ao litoral e mais continentais no interior. A normal climatológica padrão de 1991–2020 indica temperatura média anual nacional de 7,4 °C, com média de 18,3 °C em julho e −2,9 °C em janeiro. As águas do Báltico moderam as variações de temperatura no litoral, enquanto os distritos do interior registram noites de inverno mais frias e extremos de verão um pouco mais quentes. A precipitação ocorre ao longo de todo o ano, mas as terras altas ocidentais expostas ao ar úmido do Báltico são mais chuvosas do que partes das planícies centrais; a cobertura de neve é variável e cada vez mais instável em invernos amenos. O aquecimento de longo prazo já está alterando esse padrão: o serviço hidrometeorológico da Lituânia registra menos dias de congelamento, eventos de chuva intensa mais frequentes e risco crescente de seca no verão, apesar de uma mudança relativamente modesta nos totais anuais de precipitação. Essas mudanças afetam a agricultura, a silvicultura, os sistemas de drenagem, a gestão de enchentes e a costa rasa do Báltico, onde tempestades e erosão remodelam continuamente dunas e praias.
Florestas, terras agrícolas, áreas úmidas, lagos e corredores fluviais formam uma paisagem estreitamente interligada, e não zonas ecológicas nitidamente separadas. Dados florestais do Estado situavam as terras florestais em cerca de 2,2 milhões de hectares em 2022, aproximadamente um terço do território nacional, com áreas de mata especialmente extensas no sudeste e em partes de Žemaitija. Florestas de pinheiros dominam muitos solos arenosos, enquanto abetos, bétulas, amieiros e formações mistas de árvores caducifólias são comuns em outras áreas. A Lituânia também possui milhares de lagos, turfeiras, o delta do Nemunas e a Lagoa da Curlândia, todos importantes para aves migratórias e ecossistemas aquáticos; o Istmo da Curlândia é um bem transfronteiriço do Patrimônio Mundial da UNESCO compartilhado com a Rússia. As terras agrícolas concentram-se mais nas férteis planícies centrais e setentrionais, onde cereais, colza, culturas forrageiras, pecuária leiteira e criação de animais continuam importantes. O censo agrícola de 2020 registrou quase 2,0 milhões de hectares de terras aráveis. Fragmentação de habitats, drenagem, escoamento de nutrientes, agricultura intensiva e pressões florestais dificultam a conservação, enquanto a política nacional pretende ampliar substancialmente as áreas protegidas até 2030.
O povoamento humano do território da atual Lituânia ocorreu após o recuo das últimas camadas de gelo, e comunidades de língua báltica surgiram ao longo do extenso período pré-histórico que se seguiu. O nome Lituânia aparece pela primeira vez em uma fonte escrita em 1009, mas um Estado duradouro tomou forma no século 13, quando governantes locais consolidaram o poder sob pressão de ordens militares cruzadas. Mindaugas foi coroado rei em 1253, e o posterior Grão-Ducado da Lituânia expandiu-se muito para leste e sul, alcançando terras majoritariamente rutenas e ortodoxas e criando uma entidade política étnica e religiosamente plural. Uma união dinástica com a Polônia começou no fim do século 14, quando a elite governante lituana aceitou o cristianismo, e a Batalha de Grunwald, em 1410, enfraqueceu a Ordem Teutônica como grande ameaça. A União de Lublin, em 1569, criou a Comunidade Polaco-Lituana, preservando instituições lituanas distintas. Vilnius tornou-se um importante centro administrativo, religioso e intelectual, fortalecido pela fundação da Universidade de Vilnius em 1579 e por comunidades judaicas, polonesas, rutenas, alemãs e outras ligadas ao comércio e à vida acadêmica europeus mais amplos.
As partilhas da Comunidade Polaco-Lituana no fim do século 18 colocaram a maior parte das terras lituanas sob o Império Russo, iniciando um longo período em que administração imperial, russificação, mudança social e resistência ajudaram a remodelar a identidade nacional moderna. Um movimento nacional em língua lituana ganhou força no século 19, especialmente após a proibição de publicações em lituano no alfabeto latino imposta depois do levante de 1863. A condição de Estado foi restaurada em 16 de fevereiro de 1918, mas a república do período entre guerras enfrentou disputas territoriais e foi governada durante a maior parte desse período a partir de Kaunas, porque Vilnius estava sob controle da Polônia. Em 1940, a União Soviética ocupou e anexou a Lituânia; a Alemanha nazista ocupou o país de 1941 a 1944, período em que o Holocausto destruiu a maior parte da historicamente numerosa população judaica do país. O restabelecimento do domínio soviético trouxe deportações, resistência armada, coletivização, industrialização e mudanças demográficas. O movimento reformista Sąjūdis mobilizou apoio de massa no fim da década de 1980, e a Lituânia declarou a restauração da independência em 11 de março de 1990. O reconhecimento internacional veio em 1991; depois disso, o Estado pós-soviético construiu instituições democráticas e orientou-se de forma decisiva para a integração europeia e transatlântica.
Essa reorientação política acompanhou uma profunda transformação econômica, do planejamento central soviético para uma economia de mercado aberta, orientada à exportação e integrada à União Europeia. A manufatura continua importante, incluindo processamento de alimentos, produtos químicos, petróleo refinado, máquinas, móveis e engenharia, enquanto tecnologia da informação, serviços empresariais, transporte e logística se expandiram em torno de Vilnius, Kaunas e Klaipėda. A agricultura emprega uma parcela muito menor da força de trabalho do que historicamente, mas continua relevante no uso da terra e nas exportações de alimentos. A avaliação por país da Comissão Europeia de 2026 situou o crescimento real do PIB em 2,9 % em 2025, com consumo e investimento sustentando a atividade enquanto a demanda externa permanecia irregular. A Lituânia comercializa principalmente dentro da UE, com Alemanha, Polônia, Letônia e outros mercados europeus especialmente importantes, enquanto Klaipėda conecta a economia ao comércio mais amplo do Báltico e do mar do Norte. Fundos da UE apoiaram infraestrutura de transporte, energia e digital, mas diferenças de produtividade, disparidades regionais de renda, envelhecimento demográfico, escassez de mão de obra e exposição à demanda fraca nos principais mercados europeus continuam sendo limitações estruturais.
O censo de população e habitação de 2021 contou 2.810.761 residentes, muito abaixo dos níveis registrados após a independência devido a décadas de baixas taxas de natalidade, crescimento natural negativo e emigração substancial; em agosto de 2026, o indicador de população residente da Agência Estatal de Dados estava em cerca de 2,89 milhões, uma estimativa posterior e não uma contagem censitária. O povoamento concentra-se nas principais regiões urbanas e ao longo dos corredores centrais e ocidentais mais produtivos, enquanto muitos municípios rurais periféricos perderam população. No início de 2023, 68,4 % dos residentes viviam em cidades e vilas. Vilnius é a maior cidade e o centro dominante de governo, finanças, tecnologia e ensino superior; Kaunas é o segundo grande centro metropolitano e industrial, Klaipėda é o principal porto marítimo, e Šiauliai e Panevėžys estruturam redes regionais do norte e do centro. A Lituânia está territorialmente organizada em 10 condados e 60 municípios, sendo os municípios o principal nível eleito de governo local. O censo de 2021 registrou os lituanos como 84,6 % da população, com as comunidades polonesa e russa como as maiores minorias.
O lituano é o idioma oficial do Estado e uma das apenas duas línguas bálticas sobreviventes, junto com o letão; sua preservação tornou-se estreitamente ligada à identidade nacional durante o domínio imperial e a proibição da imprensa no século 19. Russo e polonês continuam amplamente usados em comunidades específicas, especialmente em torno de Vilnius e nos distritos orientais. O censo de 2021 constatou que 60,6 % dos residentes sabiam falar russo como idioma diferente da língua materna, enquanto 31,1 % sabiam falar inglês; o polonês foi declarado por 7,9 %. Os dados censitários registraram 74,2 % da população como católica romana e 3,8 % como ortodoxa, embora a filiação varie por geração e lugar. A vida cultural reflete o Grão-Ducado, a Comunidade Polaco-Lituana, a história urbana judaica, o domínio russo e soviético e a integração europeia após 1990. Vilnius preserva arquitetura gótica, renascentista, barroca e de períodos posteriores, enquanto Kaunas é reconhecida internacionalmente por seu modernismo do período entre guerras. Música coral, literatura, teatro, arte contemporânea e a tradição báltica dos festivais da canção coexistem com fortes identidades regionais em Aukštaitija, Žemaitija, Dzūkija e Suvalkija.
A geografia dos transportes da Lituânia reflete tanto seu litoral báltico quanto sua posição entre o mercado mais amplo da UE e a região oriental do Báltico. O Ministério dos Transportes informa cerca de 84.000 quilômetros de estradas, incluindo aproximadamente 21.200 quilômetros de vias de importância nacional, o que torna rodovias e estradas a base do transporte doméstico de passageiros e cargas. O sistema ferroviário continua amplamente baseado na bitola de 1.520 milímetros herdada das redes russas e soviéticas, com cerca de 1.728 quilômetros de linhas principais operacionais em bitola larga, enquanto a infraestrutura de 1.435 milímetros está sendo ampliada por meio da Rail Baltica. Em meados de 2026, contratos de construção abrangiam 114 quilômetros entre Kaunas e Panevėžys, parte de um traçado lituano planejado de 392 quilômetros da Rail Baltica. Klaipėda movimentou 39,0 milhões de toneladas de carga em 2025 e é a principal porta marítima; Vilnius, Kaunas e Palanga concentram os principais aeroportos. Na energia, os Estados bálticos sincronizaram seus sistemas elétricos com a Europa continental em fevereiro de 2025, enquanto a rápida expansão das energias eólica e solar está reduzindo, mas ainda não eliminou, a dependência de energia importada.
A importância contemporânea da Lituânia decorre da interação entre sua geografia, seu alinhamento institucional e sua infraestrutura. A participação na União Europeia e na OTAN desde 2004, no Espaço Schengen desde 2007, na zona do euro desde 2015 e na OCDE desde 2018 a coloca firmemente dentro das estruturas econômicas europeias e de segurança transatlântica, enquanto suas fronteiras com Belarus e com a região russa de Kaliningrado a situam na fronteira oriental da UE e da OTAN. A estreita conexão terrestre pelo nordeste da Polônia em direção aos outros Estados bálticos dá a ligações como a Via Baltica e a Rail Baltica importância para o comércio e a mobilidade militar, e a OTAN ampliou sua presença avançada na Lituânia. Ao mesmo tempo, o país precisa administrar o envelhecimento populacional, disparidades regionais, custos de defesa, adaptação climática, investimentos no sistema energético e uma economia exposta às condições do comércio europeu. Sua posição no médio prazo dependerá substancialmente de uma integração mais profunda em transportes, energia e digitalização conseguir compensar as limitações demográficas e reforçar a resiliência econômica em uma borda estrategicamente sensível da região báltica.