A Geórgia ocupa cerca de 69.700 quilômetros quadrados no Cáucaso do Sul, onde a costa oriental do mar Negro encontra os sistemas montanhosos entre a Europa e a Ásia ocidental. Faz fronteira com a Rússia ao norte, o Azerbaijão a leste e sudeste, a Armênia ao sul e a Turquia a sudoeste; Tbilisi, no vale do rio Mtkvari, é a capital. O território reconhecido do país inclui a Abecásia e a região de Tskhinvali/Ossétia do Sul, embora o governo georgiano não exerça controle de facto sobre elas. O Grande Cáucaso forma uma elevada muralha ao norte, cujos picos superam 5.000 metros, enquanto o Pequeno Cáucaso e as terras altas vulcânicas emolduram o sul. Entre eles ficam a úmida planície da Cólquida a oeste, os vales centrais divididos pela cordilheira de Likhi e as bacias mais secas de Kartli e Kakheti a leste. O Rioni drena em direção ao mar Negro; o Mtkvari, conhecido mais abaixo como Kura, atravessa o leste da Geórgia em direção ao Azerbaijão e à bacia do Cáspio.
O clima da Geórgia muda bruscamente em distâncias curtas porque a influência marítima, as barreiras montanhosas e a altitude interagem. As planícies ocidentais expostas ao ar úmido do mar Negro têm condições amenas e muito úmidas, com precipitação intensa sustentando vegetação densa; Batumi e a costa de Adjara estão entre as áreas povoadas mais chuvosas do país. A leste das cordilheiras de Likhi e Meskheti, a umidade do mar Negro enfraquece e o clima se torna mais continental: os verões são mais quentes, os invernos mais frios e a precipitação menor nas planícies de Kartli, Kakheti e do planalto de Iori. Os terrenos mais elevados avançam por faixas montanas frias até condições alpinas e nivais, com neve persistente e geleiras no Grande Cáucaso. Esses contrastes determinam onde a irrigação é necessária, quais culturas podem ser cultivadas e com que confiabilidade as estradas de montanha permanecem abertas. Inundações, enxurradas, deslizamentos, fluxos de lama, avalanches, granizo e seca são riscos recorrentes, e a Agência Nacional do Meio Ambiente da Geórgia está ampliando o monitoramento de múltiplos riscos nas principais bacias hidrográficas à medida que a mudança climática aumenta a pressão sobre água, encostas, agricultura e infraestrutura.
Essas divisões ambientais sustentam ecossistemas excepcionalmente variados para um país desse tamanho. O oeste da Geórgia contém florestas úmidas de folhas largas da Cólquida, áreas úmidas e turfeiras formadoras de turfa; as Florestas Tropicais e Áreas Úmidas da Cólquida, listadas pela UNESCO, estendem-se ao longo de um corredor de 80 quilômetros no mar Negro e preservam florestas relictuais desde o nível do mar até as altas montanhas. As paisagens mais secas do leste incluem bosques de carvalhos e carpinos, campos semelhantes a estepes e vegetação semiárida, enquanto o Grande Cáucaso sustenta florestas subalpinas, prados alpinos e habitats de alta montanha. Paisagens protegidas como Borjomi-Kharagauli, Tusheti e Vashlovani representam diferentes partes dessa variedade ecológica. O uso da terra segue a mesma geografia. Distritos ocidentais favorecem avelãs, milho, cítricos e outras culturas de clima úmido; Kakheti é a principal região vinícola, enquanto cereais, pomares, pecuária e pastagens são importantes nas áreas orientais e de terras altas. Assim, a irrigação é estruturalmente mais importante no leste, enquanto o relevo íngreme e a erosão limitam a agricultura em muitos distritos montanhosos.
Muito antes de existir um Estado georgiano unificado, o território abrigava sociedades ligadas ao mar Negro, à Anatólia, ao Irã e ao Cáucaso mais amplo. Autores clássicos associavam o oeste da Geórgia à Cólquida e o leste à Ibéria, ou Kartli, mas essas antigas entidades políticas não devem ser tratadas simplesmente como a Geórgia moderna sob nomes anteriores. Colônias gregas e assentamentos comerciais ligavam a costa do mar Negro ao Mediterrâneo, enquanto potências romanas, bizantinas e iranianas disputavam influência pelo interior. A conversão do reino da Ibéria ao cristianismo no quarto século, tradicionalmente associada a Santa Nino e ao rei Mirian III, deu à formação estatal georgiana oriental uma orientação religiosa e ajudou a ancorar uma cultura literária distinta. A consolidação dinástica medieval acabou reunindo importantes territórios ocidentais e orientais sob os Bagrátidas por volta de 1008. O reino alcançou seu maior peso político e cultural sob governantes como David IV e a rainha Tamar no século doze e no início do século treze. As invasões mongóis enfraqueceram essa ordem e, no período medieval posterior, a fragmentação política deixou reinos e principados georgianos expostos a repetidas intervenções otomanas e iranianas, tornando a proteção externa uma questão cada vez mais importante.
Essa busca por proteção acabou contribuindo para o domínio imperial russo, em vez de preservar a soberania georgiana. O reino oriental de Kartli-Kakheti aceitou a proteção russa pelo Tratado de Georgievsk em 1783, mas o Império Russo o anexou em 1801 e incorporou Imereti e outros territórios georgianos ocidentais ao longo do século XIX. A administração imperial aboliu as monarquias locais e integrou a economia e o sistema de transportes às redes russas, ao mesmo tempo que estimulou um movimento nacional georgiano moderno. Após o colapso do Império Russo, a República Democrática da Geórgia declarou independência em 26 de maio de 1918; o Exército Vermelho invadiu o país em 1921, e a Geórgia posteriormente passou a fazer parte da União Soviética. O domínio soviético trouxe industrialização, educação e crescimento urbano, ao lado de coletivização, repressão política e planejamento central. A independência foi restaurada em 9 de abril de 1991, mas conflitos civis e guerras na Abecásia e na Ossétia do Sul fragmentaram o Estado nascente e deslocaram grandes contingentes populacionais. A Revolução das Rosas de 2003 acelerou reformas anticorrupção. A guerra com a Rússia em agosto de 2008 consolidou a separação da Abecásia e da Ossétia do Sul, que permanecem fora do controle de facto de Tbilisi e abrigam forças militares russas.
A economia pós-soviética mudou decisivamente em direção aos serviços, ao comércio e à iniciativa privada, embora a agricultura continue importante fora das maiores cidades. As contas nacionais preliminares da GeoStat mostram que o PIB real cresceu 7,5% em 2025; comércio, indústria de transformação, construção, setor imobiliário, transportes, turismo e tecnologia da informação contribuem de forma significativa para a produção. A moeda é o lari georgiano. A Geórgia tem recursos domésticos limitados de combustíveis fósseis, mas potencial hidrelétrico considerável, depósitos minerais e uma base agrícola associada ao vinho, às castanhas e ao processamento de alimentos. O comércio de mercadorias é incomum porque a reexportação de veículos se tornou uma importante categoria de exportação: automóveis responderam por 38,6% das exportações de bens em 2025, ajudando a tornar Quirguistão e Cazaquistão mercados de exportação de destaque, enquanto Turquia, Estados Unidos, Rússia e China foram os maiores parceiros comerciais em volume de negócios. Turismo e remessas também são fontes importantes de divisas. O forte crescimento agregado não eliminou fragilidades estruturais: o desemprego ficou em média em 13,9% em 2025, a produtividade regional varia amplamente e a medida de pobreza absoluta da GeoStat caiu de 22% em 2016 para 7,1% em 2025.
O censo populacional de 2024 da Geórgia contou 3.929.581 residentes em 14 de novembro de 2024 no território abrangido pelo levantamento, que excluiu áreas fora do controle do governo georgiano; uma estimativa posterior da GeoStat situou a população em cerca de 3,94 milhões em 1º de janeiro de 2026. O povoamento é cada vez mais urbano e altamente concentrado. Só Tbilisi reúne aproximadamente um terço dos habitantes do país e domina o ensino superior, as finanças, a administração e muitos setores de serviços; Batumi é o principal centro metropolitano do mar Negro, enquanto Kutaisi continua sendo o maior polo urbano do interior ocidental da Geórgia e Rustavi é uma importante cidade industrial a sudeste da capital. Corredores de planície e bacias economicamente ativas são muito mais densamente povoados do que o alto Cáucaso, onde a emigração e o envelhecimento reduziram a população de muitos vilarejos. A organização territorial compreende Tbilisi, nove regiões e as repúblicas autônomas de Adjara e Abecásia, com municípios responsáveis pelo autogoverno local; o status não resolvido da Abecásia e da Ossétia do Sul significa que a geografia constitucional e a administração efetiva não coincidem plenamente.
O georgiano é o idioma oficial em todo o país e pertence à família linguística cartveliana; o abecásio também tem status oficial na Abecásia segundo a Constituição da Geórgia. O censo de 2024 registra uma população majoritariamente de etnia georgiana, ao lado de comunidades azerbaijanas, armênias, russas e outras, com concentrações importantes de minorias em Kvemo Kartli e Samtskhe-Javakheti. A religião também se relaciona com a geografia e a história, e não com um único padrão nacional. A Igreja Ortodoxa Georgiana é a maior instituição religiosa, enquanto comunidades muçulmanas são significativas em Adjara e em partes do sul e do leste da Geórgia, e comunidades apostólicas armênias têm raízes profundas, sobretudo no sul e em Tbilisi. A continuidade cultural está fortemente associada à língua escrita: a tradição viva dos sistemas de escrita Mrgvlovani, Nuskhuri e Mkhedruli é reconhecida pela UNESCO. Igrejas medievais e tradições de manuscritos, canto polifônico, literatura e teatro modernos e a produção de vinho em qvevri refletem a interação entre instituições locais e a posição da Geórgia entre as esferas culturais bizantina, persa, otomana, russa e do mar Negro.
A infraestrutura de transportes reflete a mesma geografia leste-oeste que moldou a história da Geórgia. O Departamento de Estradas administra atualmente cerca de 1.455 quilômetros de rodovias internacionais e 6.943 quilômetros de rodovias secundárias; o corredor E60, de Poti por Tbilisi em direção ao Azerbaijão, e o E70, em direção a Batumi e à fronteira turca, formam o principal eixo rodoviário. A Georgian Railway informa 1.108 quilômetros de ferrovia operacional eletrificada, e sua linha-tronco liga Tbilisi e a fronteira com o Azerbaijão aos portos de Poti e Batumi no mar Negro; o sistema Baku-Tbilisi-Kars prolonga o corredor em direção à Turquia. Tbilisi, Kutaisi e Batumi são os principais aeroportos internacionais. O sistema elétrico continua fortemente baseado em energia hidrelétrica, complementada por geração térmica a gás e comércio transfronteiriço. Grandes investimentos estão ampliando a capacidade de trânsito por meio da modernização ferroviária e rodoviária e do desenvolvimento do porto de águas profundas de Anaklia, liderado pelo Estado. O relevo montanhoso ainda deixa comunidades remotas mais vulneráveis a fechamentos causados pelo clima e eleva os custos de manutenção da infraestrutura.
A importância internacional da Geórgia decorre menos de seu tamanho do que da convergência entre uma geografia de segurança não resolvida e a conectividade trans-eurasiática. O país fica no lado do mar Negro de rotas que ligam o Azerbaijão e a bacia do Cáspio à Turquia e aos mercados europeus, transportando infraestrutura ferroviária, rodoviária e energética, incluindo os oleodutos Baku-Tbilisi-Ceyhan e o gasoduto do Sul do Cáucaso; também é um segmento central do Corredor do Meio em desenvolvimento entre a Ásia Central e a Europa. A Geórgia é candidata à União Europeia, mas o Conselho Europeu concluiu que seu processo de adesão chegou a uma paralisação de facto em 2024, enquanto a OTAN a descreve como parceira próxima e país aspirante à adesão. As relações com a Rússia continuam definidas pela guerra de 2008 e pela separação persistente da Abecásia e da Ossétia do Sul; quase 300.000 pessoas estavam registradas como deslocadas internamente em janeiro de 2025. Assim, a capacidade de influência no médio prazo depende de combinar investimentos em transportes e diversificação econômica com estabilidade institucional, resiliência climática e gestão de restrições territoriais que a geografia torna impossível ignorar.