A Síria, oficialmente República Árabe Síria, ocupa 185.180 quilômetros quadrados da Ásia Ocidental, na extremidade oriental do Mediterrâneo. Faz fronteira com a Turquia ao norte, o Iraque a leste e sudeste, a Jordânia ao sul, o Líbano a sudoeste e a fronteira do Golã controlada por Israel a sudoeste; uma curta costa mediterrânea se abre para oeste a partir de Latakia e Tartus. Damasco fica no interior, perto das montanhas do Antilíbano, enquanto o relevo do país se amplia para leste a partir da estreita planície costeira e de Jabal an-Nusayriyah, passando pela depressão do Orontes, planaltos interiores, estepe e o Deserto Sírio. O Eufrates atravessa o norte e o leste da Síria depois de entrar pela Turquia, criando o maior corredor fluvial do país, enquanto o Khabur drena partes da Jazira nordestina. Essa configuração dá à Síria uma transição pronunciada de oeste para leste: montanhas mais úmidas e bacias agrícolas densamente povoadas no oeste dão lugar a terras semiáridas de cereais e pastagens e, depois, a planícies cada vez mais secas em direção ao Iraque.
O clima acompanha esse gradiente geográfico, em vez de seguir um único padrão nacional. A costa mediterrânea e as encostas montanhosas ocidentais têm invernos frescos e relativamente úmidos e verões quentes e secos, com as cadeias costeiras interceptando o ar úmido do inverno; a leste delas, a precipitação cai acentuadamente e as amplitudes térmicas anuais aumentam à medida que a influência marítima enfraquece. Damasco e o planalto interior são semiáridos, enquanto grande parte do centro e do leste da Síria é estepe árida ou deserto; altitudes maiores no Antilíbano e em outras cadeias ocidentais são mais frias e podem receber neve no inverno. Registros climáticos do Banco Mundial para 1995–2014 situam a temperatura média anual nacional perto de 19 °C e a precipitação média em cerca de 217 milímetros, números que ocultam distritos ocidentais muito mais úmidos e áreas orientais muito mais secas. O estresse hídrico é, portanto, estrutural. Uma seca severa prejudicou a agricultura em 2025, embora a melhora das chuvas tenha apoiado a recuperação em 2026, enquanto aquíferos esgotados, sistemas de água danificados, incêndios florestais e enchentes repentinas episódicas agravam os efeitos da variabilidade climática sobre a agricultura e o abastecimento urbano.
Os ecossistemas da Síria vão de vegetação arbustiva mediterrânea e remanescentes de bosques de pinheiros e carvalhos nas montanhas costeiras a campos secos, estepe semidesértica, planícies salinas e vegetação desértica esparsa no interior. Vales fluviais e reservatórios formam corredores ecológicos e agrícolas através de terrenos que, de outro modo, seriam secos, especialmente ao longo do Eufrates e ao redor do lago Assad, enquanto a bacia do Orontes e as terras altas ocidentais sustentam cultivo mais intensivo. As florestas cobriam apenas cerca de 2,8 % da área terrestre do país em 2023, deixando os bosques remanescentes vulneráveis a incêndios, corte e fragmentação. A agricultura acompanha amplamente o mapa de umidade: azeitonas, frutas e hortaliças são importantes nos distritos ocidentais; cereais se estendem pelo norte e nordeste com maior disponibilidade de água; a agricultura irrigada usa recursos do Eufrates e águas subterrâneas; e a pecuária continua importante na estepe. Danos do conflito à irrigação, escassez de combustível e deslocamento enfraqueceram esses sistemas, enquanto a seca de 2025 reduziu fortemente as colheitas. A pressão sobre a terra e a água, portanto, afeta os meios de subsistência rurais, os preços dos alimentos e a viabilidade do retorno a comunidades agrícolas danificadas.
A Síria da Idade do Bronze abrigava importantes centros urbanos, com Ebla e Aleppo ligando o norte da Mesopotâmia ao comércio mediterrâneo. Ugarit, na costa, floresceu no segundo milênio a.C. dentro de redes comerciais e diplomáticas que conectavam Egito, Anatólia, Mesopotâmia, Chipre e o Egeu; seus arquivos incluem um antigo sistema de escrita cuneiforme alfabética. Reinos arameus e outros reinos regionais vieram depois, antes que sucessivas potências assírias, babilônicas, persas aquemênidas, helenísticas e romanas incorporassem territórios sírios a sistemas imperiais maiores. Sob Roma e Bizâncio, cidades como Damasco, Antioquia e Palmira se beneficiaram de rotas que ligavam o Mediterrâneo a redes de caravanas do interior; Palmira, em particular, cresceu como entreposto de oásis entre as esferas romana e persa. Exércitos árabe-muçulmanos tomaram a região no século VII, e Damasco tornou-se a capital do Califado Omíada de 661 a 750. Embora o centro de gravidade político tenha se deslocado posteriormente para Bagdá, Damasco e Aleppo continuaram sendo importantes centros comerciais e culturais durante os períodos aiúbida e mameluco, antes que o Império Otomano absorvesse a maior parte da Síria em 1516.
O domínio otomano durou até a Primeira Guerra Mundial, após a qual o colapso do império e a partilha europeia transformaram a geografia política do Levante. Um reino árabe de curta duração, sediado em Damasco, foi deslocado em 1920 quando a França impôs seu mandato da Liga das Nações sobre a Síria e o Líbano, definindo instituições e fronteiras que ajudaram a moldar o Estado posterior. A resistência culminou na Grande Revolta Síria de 1925–27, e a independência plena tornou-se efetiva com a saída das tropas francesas em abril de 1946. As décadas seguintes trouxeram golpes repetidos, união com o Egito na República Árabe Unida de 1958 a 1961 e a tomada do poder pelo Partido Ba’ath em 1963. Israel capturou a maior parte das Colinas de Golã na guerra de 1967; Hafez al-Assad consolidou um Estado autoritário depois de 1970, e Bashar al-Assad o sucedeu em 2000. Protestos iniciados em 2011, repressão violenta e escalada armada produziram uma guerra multifacetada envolvendo forças internas e potências estrangeiras. Uma ofensiva da oposição encerrou o domínio de Assad em dezembro de 2024. Uma declaração constitucional de março de 2025 estabeleceu um marco de transição de cinco anos, mas a reconstrução do Estado, a inclusão política, a integração do setor de segurança e a responsabilização permanecem inacabadas.
A economia que entra nesta transição é muito menor e mais danificada do que antes da guerra. O Banco Mundial estima que o PIB nominal caiu de cerca de US$ 67,5 bilhões em 2011 para US$ 21,4 bilhões em 2024, enquanto as necessidades de reconstrução física foram estimadas em 2025 em aproximadamente US$ 216 bilhões. Agricultura, hidrocarbonetos, comércio, construção e serviços são centrais para a recuperação; os campos de petróleo e gás concentram-se principalmente no leste e nordeste, enquanto fosfatos, processamento de alimentos, têxteis e cimento também tiveram importância histórica. A recuperação econômica, portanto, depende fortemente de reconectar áreas produtoras a Damasco, Aleppo, portos e mercados vizinhos. A retirada das amplas sanções dos Estados Unidos em 2025 e o levantamento pela União Europeia da maioria das restrições econômicas reabriram canais para finanças, comércio e investimento, embora permaneçam medidas direcionadas e relacionadas à segurança. Em agosto de 2026, técnicos do FMI esperavam crescimento real de dois dígitos durante 2026, à medida que agricultura, hidrocarbonetos, eletricidade, comércio e serviços se recuperassem. Essa retomada parte de uma base deprimida: a pobreza continua disseminada, o desempenho regional é desigual, a capacidade bancária é fraca e o financiamento da reconstrução continua sendo uma restrição vinculante.
A Síria não realiza um censo populacional completo desde 2004, quando a contagem foi de cerca de 17,9 milhões, de modo que os números demográficos atuais são estimativas moldadas por grandes movimentos de refugiados, deslocados internos e retornados. Estimativas da ONU situam a população em cerca de 25,6 milhões em 2025, com densidade média próxima de 140 pessoas por quilômetro quadrado, mas a ocupação do território é muito desigual. Estimava-se que cerca de 70 % dos habitantes fossem urbanos em 2025, em comparação com aproximadamente 55 % antes do conflito. Damasco e Aleppo continuam sendo os principais centros metropolitanos, seguidos por Homs, Hama, Latakia, Tartus, Raqqa, Deir ez-Zor e a zona de Hasakah-Qamishli. A população se concentra ao longo do corredor urbano ocidental, dos distritos férteis do norte e dos vales fluviais, e não no interior desértico. Administrativamente, a Síria está dividida em 14 governadorias, subdivididas em distritos e unidades de nível inferior. O Estado é formalmente unitário, mas a fragmentação do período de guerra, o deslocamento e a integração ainda em curso de áreas antes autônomas ou administradas por grupos armados complicam a autoridade e a prestação de serviços.
O árabe é o idioma oficial e a principal língua da vida pública, com variedades sírias do árabe levantino predominando na fala cotidiana e o árabe-padrão moderno usado formalmente. O curdo, especialmente o kurmanji, é amplamente falado em partes do norte e nordeste, enquanto armênio, siríaco e outras variedades neoaramaicas, turcomeno e circassiano sobrevivem em comunidades menores. Muçulmanos sunitas formam a maioria, ao lado de comunidades alauítas concentradas especialmente nas montanhas costeiras, comunidades drusas centradas em al-Suwayda e Jabal al-Druze, igrejas cristãs de várias tradições e comunidades menores ismaelitas e xiitas duodecimanas. Guerra, emigração e deslocamento alteraram a distribuição de muitos grupos, tornando antigas porcentagens pouco confiáveis. A vida cultural reflete séculos de intercâmbio: arquitetura de pátios internos e artesanato em Damasco e Aleppo, tradições literárias e musicais árabes, patrimônio siríaco e armênio e as paisagens arqueológicas de Palmira e das antigas aldeias do norte compõem partes de um registro histórico plural.
As redes de transporte e energia refletem a concentração da população e da produção da Síria em poucos corredores. A rodovia M5 forma o principal eixo norte-sul através de Damasco, Homs, Hama e Aleppo, enquanto estradas leste-oeste conectam o interior a Latakia e Tartus, ao Eufrates e ao nordeste. Os dois portos mediterrâneos movimentam a maior parte do comércio marítimo, e Damasco e Aleppo são as principais portas de entrada da aviação internacional. A Síria mantém ligações ferroviárias entre grandes cidades, portos e áreas industriais, mas danos de guerra e desuso reduziram seu alcance prático. A eletricidade mostra a mesma distinção entre acesso e confiabilidade: dados do Banco Mundial registraram cerca de 89 % de acesso em 2024, mas escassez de geração, transmissão e combustível causou interrupções severas. Um projeto de US$ 146 milhões do Banco Mundial, aprovado em 2025, tem como alvo linhas de alta tensão e subestações danificadas, incluindo interligações com a Jordânia e a Turquia. As telecomunicações alcançam grande parte do país, mas a eletricidade, os ativos danificados e as disparidades regionais de renda continuam moldando a qualidade dos serviços.
A importância mais ampla da Síria decorre de uma geografia que também a expõe à competição regional: ela liga Turquia e Iraque ao Levante e ao Mediterrâneo, compartilha o sistema do Eufrates com países vizinhos, contém as disputadas Colinas de Golã e se encontra sobre possíveis corredores comerciais e energéticos entre o Golfo, a Mesopotâmia e os portos do Mediterrâneo Oriental. O país continua membro das Nações Unidas e da Liga Árabe, enquanto o envolvimento internacional e regional se ampliou desde a transição política de 2024. No entanto, soberania e segurança ainda estão sendo consolidadas: acordos para integrar forças lideradas por curdos no nordeste exigem implementação, tensões em al-Suwayda persistem e a atividade militar israelense além das linhas de desengajamento anteriores a 2024 continua contestada. Ao mesmo tempo, deslocamento e retorno em grande escala, moradias e infraestrutura danificadas, escassez de água e recuperação econômica desigual tornam a reconstrução inseparável de um acordo político. O peso da Síria no médio prazo dependerá de sua geografia fragmentada do pós-guerra poder ser reconectada institucional e economicamente sem reproduzir as exclusões que ajudaram a desestabilizar o Estado.