O Iêmen, oficialmente República do Iêmen, ocupa 527.968 quilômetros quadrados no extremo sudoeste da Península Arábica, na Ásia Ocidental. A Arábia Saudita faz fronteira com o país ao norte e Omã a leste; o Mar Vermelho forma sua fachada ocidental, enquanto o Golfo de Áden e o Mar Arábico se abrem ao sul em direção ao Oceano Índico. No Bab el-Mandeb, o Iêmen fica diante de Djibuti e Eritreia, do outro lado da passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, e seu território inclui as Ilhas Hanish, Perim e o arquipélago de Socotra. Sana’a, a capital constitucional, situa-se em uma bacia intermontana elevada. Da quente planície de Tihama, o relevo sobe abruptamente para terras altas ocidentais profundamente recortadas, alcançando 3.666 metros no Jabal an-Nabi Shu‘ayb, e depois desce por planaltos e bacias centrais em direção ao interior árido oriental, ao Wadi Hadramawt e às margens do Rub al-Khali.
O clima varia acentuadamente conforme a altitude, a exposição e a distância do mar. As costas do Mar Vermelho e do Golfo de Áden são quentes durante a maior parte do ano, com alta umidade ao longo de Tihama, enquanto as terras altas ocidentais têm temperaturas mais amenas, noites frias de inverno em altitude e as chuvas mais regulares do Iêmen. Dados do Banco Mundial situam a precipitação média nacional em cerca de 145 milímetros por ano no período 1995–2014, mas essa média esconde um gradiente extremo: amplas zonas desérticas e orientais podem receber apenas algumas dezenas de milímetros por ano, enquanto encostas favorecidas das terras altas recebem várias centenas de milímetros e, localmente, muito mais. A chuva é irregular, muitas vezes em tempestades de primavera e verão, e aguaceiros intensos podem transformar wadis normalmente secos em enchentes destrutivas. O Iêmen não possui um grande sistema fluvial perene, por isso famílias, propriedades rurais e cidades dependem fortemente de águas subterrâneas, nascentes, cisternas e captação de escoamento superficial. Seca, esgotamento de aquíferos, enchentes repentinas, erosão do solo e aumento do calor, portanto, reforçam-se mutuamente como pressões ambientais e econômicas de longo prazo.
Esses contrastes climáticos produzem ecossistemas que vão de vegetação arbustiva costeira, planícies salinas e manguezais do Mar Vermelho a bosques de acácias, vegetação montana, estepe seca, deserto e ambientes marinhos de coral. Socotra é o centro excepcional de biodiversidade: a UNESCO registra ali 825 espécies de plantas, 37 % delas endêmicas, além de endemismo muito elevado entre répteis e caracóis terrestres. No continente, paisagens rurais produtivas concentram-se em terraços das terras altas, fundos de wadis e baixadas irrigadas, onde agricultores cultivam sorgo, milheto, trigo, hortaliças, frutas, café e qat; a criação de animais e a pesca costeira continuam importantes. Historicamente, os terraços permitiram assentamento denso em encostas íngremes ao conservar solo e chuva, mas manutenção negligenciada, erosão e danos do conflito enfraqueceram alguns sistemas. A disponibilidade de água é a principal limitação da agricultura, e a extração de águas subterrâneas excedeu a recarga sustentável em várias bacias. Em Hadramawt e outros vales orientais, a agricultura se concentra em torno de fontes de água de cheias e águas subterrâneas, enquanto grandes extensões de Al Mahrah, Shabwah e do deserto setentrional sustentam densidades populacionais muito menores.
O sudoeste da Arábia abrigou sociedades sedentárias complexas muito antes da existência de um Estado iemenita moderno. Desde o primeiro milênio a.C., reinos como Saba, Ma‘in, Qataban e Hadramawt prosperaram por meio da agricultura irrigada e do comércio que ligava o sul da Arábia ao Chifre da África e aos mundos do Mediterrâneo e do Oceano Índico; a grande barragem de Marib tornou-se a expressão mais conhecida da engenharia hidráulica sabeia. Himyar, sediado nas terras altas do sul, acabou absorvendo reinos rivais e, na Antiguidade tardia, controlava grande parte do sul da Arábia antes das intervenções de Axum e, depois, do Império Sassânida. O Iêmen passou a integrar a entidade política islâmica em expansão no século VII, após o que portos costeiros e centros do interior participaram de um comércio mais amplo no Mar Vermelho e no Oceano Índico. Um imamato zaidita foi estabelecido nas terras altas do norte no fim do século IX e tornou-se uma instituição político-religiosa duradoura, enquanto dinastias como a rasúlida governaram grandes partes do país no período medieval. O poder otomano chegou ao Iêmen no século XVI e retornou no século XIX, enquanto a Grã-Bretanha tomou Áden em 1839, criando a divisão territorial da qual mais tarde surgiram Estados separados no norte e no sul.
As terras altas do norte tornaram-se o Reino Mutawakkilita do Iêmen após a retirada otomana em 1918, mas uma revolta republicana em 1962 pôs fim ao imamato e desencadeou uma guerra civil; o Egito apoiou os republicanos e a Arábia Saudita apoiou os monarquistas, enquanto a República Árabe do Iêmen sobreviveu até 1970. No sul, uma insurgência anticolonial encerrou o domínio britânico em 1967, e o novo Estado evoluiu para a marxista República Democrática Popular do Iêmen. Norte e Sul se unificaram em 22 de maio de 1990 como República do Iêmen, mas rivalidades militares e regionais não resolvidas contribuíram para uma guerra civil em 1994. A revolta de 2011 forçou uma transferência negociada de Ali Abdullah Saleh para Abd Rabbu Mansour Hadi, mas a transição não resolveu disputas sobre poder e federalismo. Ansar Allah, comumente chamado de houthis, tomou Sana’a em 2014; uma intervenção liderada pela Arábia Saudita veio em seguida, em 2015. Uma trégua mediada pela ONU em 2022 reduziu os combates em grande escala sem produzir um acordo. Em agosto de 2026, as autoridades houthi ainda controlavam Sana’a e grande parte do populoso noroeste, enquanto o governo reconhecido internacionalmente e seus aliados governavam áreas substanciais do sul e do leste; novos combates e a escalada no Mar Vermelho haviam voltado a elevar o risco de uma guerra mais ampla.
A guerra e a divisão institucional transformaram uma economia já limitada pela escassez de água, pela industrialização restrita e pela dependência de alimentos importados. Antes do conflito atual, petróleo bruto e gás natural liquefeito forneciam grande parte das receitas de exportação e das receitas públicas, enquanto agricultura, pesca, construção, comércio e serviços públicos sustentavam parcelas expressivas do emprego. As exportações de petróleo praticamente pararam em 2022 após ataques à infraestrutura de exportação, privando o governo reconhecido internacionalmente de divisas e dificultando o financiamento das importações. As estimativas macroeconômicas recentes divergem porque as estatísticas nacionais estão fragmentadas: o Banco Mundial estimou que o PIB real contraiu 1,5 % em 2025 e projetou nova queda de 0,5 % em 2026, enquanto o FMI estimou contrações de 0,5 % e 0,7 %, respectivamente. Ambas as avaliações apontam para queda da renda real, investimento fraco e severas restrições fiscais. Remessas, transferências humanitárias, comércio de pequena escala e atividade informal ajudam a sustentar as famílias, enquanto a recuperação de longo prazo depende de restaurar exportações, estabilizar a moeda, recuperar a infraestrutura e ampliar setores não petrolíferos como agricultura, pesca, logística e energia renovável.
O último censo nacional do Iêmen, realizado em 2004, contou 19.685.161 pessoas; na ausência de um censo posterior, estimativas da ONU situam a população de 2025 em cerca de 41,8 milhões, ou aproximadamente 79 pessoas por quilômetro quadrado. Essa média oculta forte concentração nas terras altas ocidentais mais úmidas e nos principais corredores urbanos, com povoamento muito mais esparso nos planaltos e desertos orientais. A ONU e o Banco Mundial estimam que cerca de 37 % dos residentes viviam em áreas urbanas em 2025, embora o deslocamento populacional e o rápido crescimento periurbano tornem as condições locais fluidas. Sana’a continua sendo o maior centro metropolitano, enquanto Áden é o principal porto do sul e sede de instituições estatais reconhecidas internacionalmente; Taiz, Al Hudaydah, Ibb, Al Mukalla e Marib são outros grandes centros urbanos. Formalmente, o Iêmen é dividido em 22 governadorias e 333 distritos, mas autoridades em contexto de guerra, conselhos locais, estruturas tribais e atores armados exercem controle prático desigual. Identidades regionais como hadrami, mahri e socotri coexistem com uma cidadania iemenita mais ampla, enquanto os marginalizados Muhamasheen constituem uma comunidade social distinta.
O árabe é o idioma oficial e a principal língua do governo, da educação e da vida pública, mas a fala cotidiana varia consideravelmente entre os dialetos do árabe iemenita. O país também preserva línguas sul-arábicas modernas, especialmente o mehri no extremo leste e o socotri em Socotra; a UNESCO apoiou esforços para salvaguardar o socotri e desenvolver um sistema de escrita mais padronizado. A geografia religiosa segue padrões históricos, em vez de ser uniforme. Comunidades xiitas zaiditas concentram-se principalmente nas terras altas do norte e noroeste, enquanto tradições sunitas xafeítas predominam em grande parte do sul, de Tihama e das regiões orientais; comunidades ismaelitas menores também estão presentes. O Iêmen já teve uma população judaica significativa, mas migrações sucessivas a reduziram muito. A expressão cultural reflete as mesmas interseções entre a história das terras altas, do litoral e do Oceano Índico: as casas-torre decoradas de Sana’a, os edifícios altos de tijolos de barro de Shibam e o tecido urbano de Zabid incorporam tradições arquitetônicas distintas, enquanto poesia, genealogia oral, caligrafia, metalurgia, tecelagem e formas musicais regionais há muito transportam a memória social para além das instituições formais.
O sistema de transporte do Iêmen é predominantemente rodoviário, e o relevo difícil torna a conectividade cara. A avaliação de clima e desenvolvimento do Banco Mundial de 2024 descreveu uma rede viária de cerca de 50.000 quilômetros, aproximadamente 72 % dela não pavimentada, com danos causados pelo conflito e manutenção deficiente elevando os tempos de viagem e os custos de distribuição de alimentos. O Iêmen não possui uma ferrovia nacional em operação. O comércio marítimo, portanto, depende de portos como Áden, Al Hudaydah, Salif, Al Mukalla e Mocha, que são vitais porque o país importa grande parte de seus alimentos e combustíveis. Sana’a, Áden, Seiyun, Riyan, perto de Al Mukalla, e Socotra já atenderam importantes ligações aéreas, embora as operações continuem vulneráveis às hostilidades. A infraestrutura elétrica é igualmente fragmentada: uma avaliação do Banco Mundial de 2026 estimou que cerca de 76 % dos iemenitas tinham alguma forma de acesso à eletricidade, mas apenas 12 % dependiam da rede pública. A geração a diesel e a expansão de sistemas solares domésticos, comerciais e comunitários cobrem grande parte da lacuna, enquanto as telecomunicações continuam importantes, porém institucionalmente divididas.
A importância internacional do Iêmen é inseparável do Bab el-Mandeb, uma das principais portas marítimas entre o Oceano Índico, o Mar Vermelho e a rota do Canal de Suez. O país integra as Nações Unidas, a Liga Árabe e a Organização para a Cooperação Islâmica, e sua política está estreitamente ligada à Arábia Saudita, a Omã, ao Irã e ao Chifre da África. Novos ataques houthi à navegação comercial e a intensificação da atividade nas linhas de frente em 2026 mostraram como o conflito não resolvido pode interromper o comércio muito além do Iêmen. O rápido crescimento populacional, o esgotamento da água, a dependência de alimentos importados, a infraestrutura danificada, as instituições fragmentadas e a exposição climática limitam a capacidade do Estado de converter sua localização em desenvolvimento de base ampla. Um acordo duradouro tornaria mais viável a recuperação de portos, estradas, eletricidade, sistemas de água e setores exportadores, mas a geografia não pode compensar a fragmentação institucional. O peso do Iêmen no médio prazo dependerá de a autoridade política, a governança econômica e a gestão de recursos se tornarem suficientemente coerentes para transformar sua localização estratégica em um ativo, e não em uma vulnerabilidade recorrente.