A Argentina ocupa 2.780.400 quilômetros quadrados no sul da América do Sul, estendendo-se das latitudes subtropicais próximas à Bolívia e ao Paraguai até as proximidades da Terra do Fogo. Faz fronteira com o Chile ao longo dos Andes a oeste e ao sul, com Bolívia e Paraguai ao norte e com Brasil e Uruguai a nordeste e leste, enquanto sua fachada atlântica se abre pelo Rio da Prata e ao longo da costa patagônica. Buenos Aires, na margem sudoeste do estuário, é a capital federal. A estrutura física do país é fortemente orientada de oeste para leste: os Andes formam a elevada margem ocidental, culminando a 6.960,8 metros no Aconcágua; a Puna e as bacias intermontanas áridas ocupam grande parte do noroeste e de Cuyo; os férteis Pampas se estendem pelo centro-leste; o sistema fluvial Paraná–Paraguai drena o nordeste úmido; e a Patagônia combina planaltos de estepe, cordilheiras andinas glacializadas e uma extensa costa atlântica. Esses contrastes ajudam a explicar a distribuição desigual da população, da agricultura e dos transportes na Argentina.
O clima varia acentuadamente conforme a latitude, a altitude e a distância tanto do Atlântico quanto dos Andes. O nordeste é subtropical úmido, com verões quentes e precipitação anual que pode se aproximar ou superar 1.800 milímetros nos arredores de Iguazú, enquanto os Pampas têm clima temperado, com chuvas geralmente diminuindo em direção ao oeste. Os Andes criam fortes sombras de chuva em Cuyo e em grande parte da Patagônia, onde a aridez é generalizada, mas os Andes patagônicos voltados aos ventos recebem muita chuva e neve; em partes do Parque Nacional Lanín, a precipitação anual supera 4.000 milímetros. A Terra do Fogo é fria e marítima, com temperatura média anual próxima de 5,6 °C na área do parque nacional. Secas sazonais podem reduzir a produtividade agrícola, as vazões dos rios e a geração hidrelétrica, enquanto inundações atingem áreas baixas das bacias do Paraná, Paraguai, Uruguai, Bermejo e Pilcomayo. O El Niño–Oscilação Sul amplia essa variabilidade, e avaliações recentes do Banco Mundial identificam secas, inundações, incêndios e extremos de calor como riscos econômicos relevantes.
A Argentina abrange 18 ecorregiões terrestres e marinhas oficialmente reconhecidas, dos Altos Andes, Puna e deserto do Monte à floresta nublada das Yungas, Chaco Seco e Úmido, floresta do Paraná, áreas úmidas do Iberá, pradarias dos Pampas, estepe patagônica, floresta andino-patagônica e sistemas do Atlântico Sul. Essa amplitude ecológica sustenta habitats de importância mundial protegidos em áreas como os parques nacionais Iguazú e Los Glaciares, ambos bens do Patrimônio Mundial da UNESCO, mas o uso produtivo da terra transformou grandes áreas dos Pampas e das planícies do norte. O Censo Nacional Agropecuário de 2018 registrou cerca de 157,4 milhões de hectares em estabelecimentos agropecuários, incluindo aproximadamente 33,2 milhões de hectares cultivados; a soja predominava entre as oleaginosas, enquanto milho e trigo eram os principais cereais, e a viticultura permanecia concentrada nos vales irrigados do oeste. A pecuária bovina ocupa tanto pastagens melhoradas quanto áreas secas mais extensas. As pressões ambientais são especialmente visíveis no norte: o monitoramento oficial registrou a perda de 173.816 hectares de floresta nativa em 2023, grande parte em Chaco, Santiago del Estero e Formosa, associando a expansão agrícola e a conversão do uso da terra a preocupações com biodiversidade e solo.
A ocupação humana é muito anterior à república moderna. A Quebrada de Humahuaca, no noroeste, preserva evidências de um importante corredor andino usado por cerca de 10.000 anos e, antes da conquista europeia, o território abrigava muitas sociedades, não uma única unidade política. Comunidades agrícolas do noroeste desenvolveram irrigação, terraceamento e redes de intercâmbio; povos de língua guarani ocupavam partes do nordeste; e diversos povos móveis e semissedentários habitavam os Pampas, o Chaco e a Patagônia. No século XV, o Império Inca incorporou partes do noroeste ao Tawantinsuyu, fortalecendo conexões andinas de longa distância sem controlar todo o território. A expansão espanhola começou no século XVI a partir de várias frentes, mas o controle permaneceu desigual, sobretudo no Chaco, nos Pampas e na Patagônia. Buenos Aires, refundada de forma permanente em 1580, cresceu com o comércio atlântico antes de se tornar capital do Vice-Reino do Rio da Prata em 1776. As invasões britânicas de 1806–07 e a crise da monarquia espanhola ajudaram a desestabilizar a autoridade colonial; a Revolução de Maio de 1810 iniciou a ruptura com a Espanha, e a independência foi formalmente declarada em Tucumán em 1816.
A independência não criou de imediato um Estado argentino consolidado. O conflito entre centralistas e federalistas, a rivalidade entre Buenos Aires e o interior e as disputas pela receita alfandegária marcaram décadas de guerra civil e união negociada. A Constituição federal de 1853 estabeleceu a estrutura institucional que, após a reincorporação de Buenos Aires, sustentou a consolidação nacional. Governos do fim do século XIX ampliaram ferrovias, portos e a agricultura de exportação ao mesmo tempo que incentivavam imigração europeia em grande escala, especialmente da Itália e da Espanha, mas a expansão estatal para o sul também despojou comunidades indígenas. As campanhas militares conhecidas como Conquista do Deserto, intensificadas de 1878 a 1885, incorporaram grandes áreas da Patagônia e dos Pampas por meio de ocupação coercitiva e continuam centrais nos debates sobre terra e direitos indígenas. A partir de 1930, intervenções militares interromperam repetidamente a ordem constitucional, enquanto o peronismo se tornou uma força política de massas duradoura desde a década de 1940. A ditadura de 1976–83 realizou repressão sistemática e terminou após crise econômica e derrota na guerra das Falklands/Malvinas de 1982. A democracia civil foi restaurada em 1983; a reforma constitucional de 1994 posteriormente reforçou a proteção de direitos, alterou regras presidenciais e formalizou a autonomia de Buenos Aires.
O peso argentino é a moeda nacional, e o país tem uma economia diversificada de renda média, porém historicamente volátil, na qual os serviços dominam a produção, enquanto agricultura, processamento de alimentos, indústria automotiva, energia e mineração têm importância incomum nas exportações. O PIB real cresceu 4,4 % em 2025 depois de se contrair em 2024, e dados oficiais mostraram crescimento de 2,3 % na comparação anual no primeiro trimestre de 2026. As exportações de mercadorias em 2025 foram lideradas pelos complexos de soja, petróleo e petroquímica, automóveis, milho, metais preciosos, carne bovina, trigo, girassol e pesca; Brasil, China, Estados Unidos e Chile continuam entre os principais parceiros comerciais. A formação de xisto Vaca Muerta, em Neuquén, aumentou a produção de petróleo e gás e melhorou o saldo comercial de energia, enquanto a produção de lítio em Jujuy, Salta e Catamarca amplia a base mineral. A estabilização macroeconômica reduziu, mas não eliminou, a pressão social: a inflação ao consumidor foi de 31,5 % na comparação anual em dezembro de 2025, e a pesquisa do INDEC em 31 aglomerações urbanas mediu 28,2 % da população abaixo da linha de pobreza no segundo semestre de 2025. Baixa produtividade, informalidade e desigualdade regional continuam sendo restrições estruturais.
O censo de 2022 contou 45.892.285 habitantes, enquanto as projeções demográficas revisadas do INDEC situam a população em cerca de 46,47 milhões em 1º de julho de 2026. A densidade média é baixa para um país do tamanho da Argentina, mas esse número oculta um dos padrões mais fortes de concentração metropolitana da América do Sul. A região metropolitana de Buenos Aires — definida pelo INDEC como a Cidade Autônoma mais 39 partidos do entorno — reunia cerca de 16,37 milhões de pessoas em domicílios particulares no censo de 2022, refletindo a concentração histórica de atividade portuária, indústria, serviços e administração nacional ao redor do Rio da Prata. Córdoba e Rosário são os maiores centros urbanos do interior, enquanto Mendoza e San Miguel de Tucumán estruturam importantes regiões oeste e noroeste; a Patagônia continua muito menos povoada fora de uma cadeia de cidades ligadas a recursos e funções administrativas. Constitucionalmente, a Argentina é uma república federal representativa composta por 23 províncias e a Cidade Autônoma de Buenos Aires. As províncias mantêm suas próprias constituições, autoridades eleitas e amplos poderes, o que torna as relações entre a federação e as províncias centrais para tributação, gestão de recursos, educação e investimento público.
O espanhol domina a administração, a educação, a mídia nacional e a comunicação cotidiana, mas o panorama linguístico argentino também inclui línguas indígenas como guarani, quíchua, qom, wichí e mapudungun, além de tradições linguísticas de imigrantes moldadas por sucessivas ondas migratórias. A geografia cultural do país reflete a continuidade indígena, instituições coloniais ibéricas, a história afro-argentina, a imigração italiana e espanhola em massa e, mais tarde, migrações de países sul-americanos vizinhos e de outras regiões. O catolicismo romano mantém importância institucional histórica, mas a filiação religiosa tornou-se mais plural: uma pesquisa do CONICET de 2019 com adultos em localidades urbanas de pelo menos 5.000 habitantes encontrou 62,9 % de identificação católica, 15,3 % evangélica e 18,9 % sem religião, com diferenças regionais marcantes. Buenos Aires e Montevidéu moldaram conjuntamente o tango, que a UNESCO descreve como surgido em comunidades urbanas populares formadas por imigrantes europeus, descendentes de africanos e crioulos. A literatura argentina, de Martín Fierro, de José Hernández, a Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, também reflete tensões entre mito rural, cidades cosmopolitas, migração e identidade nacional.
As redes de transporte refletem a escala da Argentina e sua orientação histórica para Buenos Aires e os corredores de exportação. A autoridade rodoviária federal administra mais de 40.000 quilômetros de rotas nacionais, enquanto os sistemas provinciais se estendem muito além e variam em qualidade. A Argentina preserva um extenso legado ferroviário, embora os serviços de passageiros se concentrem na região metropolitana de Buenos Aires e linhas de carga ativas atendam corredores agrícolas, industriais e de mineração selecionados. O baixo Paraná e a hidrovia Paraná–Paraguai conectam terminais de grãos e oleaginosas na região da Grande Rosário ao Atlântico; Buenos Aires movimenta importante tráfego de contêineres, enquanto Bahía Blanca e Quequén são portos relevantes para cargas a granel. Os aeroportos argentinos registraram cerca de 50,65 milhões de movimentos de passageiros em 2025, liderados pelo sistema de Buenos Aires. O sistema elétrico interligado nacional tinha aproximadamente 43,7 gigawatts de capacidade instalada no segundo trimestre de 2025, combinando geração a gás, hidrelétrica, nuclear e capacidades eólica e solar em expansão. A penetração da internet fixa chegou a cerca de 84 acessos por 100 domicílios no início de 2026, embora persistam disparidades regionais.
A importância regional da Argentina se apoia em seu mercado interno, nas grandes exportações de alimentos e energia, no acesso ao Atlântico, nas passagens andinas e no sistema comercial do baixo Paraná–Paraguai. O país é membro fundador do Mercosul e integrante do G20, ligando a integração sul-americana à diplomacia econômica internacional. O Brasil é central para o comércio industrial, enquanto China, Estados Unidos e Chile também são parceiros comerciais importantes. Vaca Muerta reforça o papel argentino nos mercados regionais de energia, e a produção de lítio em Jujuy, Salta e Catamarca conecta o país ao “triângulo do lítio” sul-americano com Bolívia e Chile. Ainda assim, instabilidade macroeconômica persistente, baixa produtividade, gargalos de infraestrutura, desigualdade territorial e exposição a secas e inundações limitam o desenvolvimento. A disputa de soberania com o Reino Unido pelas Ilhas Falkland/Islas Malvinas e outros territórios contestados do Atlântico Sul, somada aos interesses argentinos na Antártida, mantém relevância diplomática para o extremo sul. Seu peso no médio prazo dependerá de as instituições e a infraestrutura conseguirem transformar vantagens de recursos e geografia em produtividade e resiliência sustentadas.