O Níger, oficialmente República do Níger, é um Estado sem litoral de 1.267.000 quilômetros quadrados na África Ocidental, abrangendo a transição do Saara central para o Sahel. Faz fronteira com Argélia e Líbia ao norte, Chade a leste, Nigéria e Benim ao sul e Burkina Faso e Mali a oeste. Niamey, a capital, fica às margens do rio Níger, no sudoeste, longe do centro geográfico do país, mas perto de sua faixa agrícola mais densamente povoada. A paisagem nacional se organiza em várias zonas claramente distintas: o vale do rio Níger e as planícies do sudoeste; a ampla faixa saheliana que atravessa Dosso, Maradi, Tahoua e Zinder; as terras baixas orientais em direção ao Komadougou Yobé e ao lago Chade; e, no norte muito mais extenso, as montanhas de Aïr, o deserto de Ténéré, o planalto de Djado e os oásis de Kaouar. O Aïr se eleva acima de 2.000 metros, enquanto o rio Níger, que percorre cerca de 550 quilômetros dentro do país, é seu único grande rio perene.
O clima acompanha essa geografia norte-sul. A maior parte do norte do Níger é um Saara hiperárido, onde a precipitação é muito baixa; o Sahel central recebe em geral cerca de 200–500 milímetros por ano, enquanto o extremo sudoeste pode superar 600 milímetros. Quase toda a chuva cai de junho a setembro, à medida que a monção da África Ocidental e a zona de convergência intertropical avançam para o norte, e a estação chuvosa se torna mais curta e menos confiável em direção ao Saara. O fim da estação seca é intensamente quente nas terras baixas, com temperaturas diurnas geralmente acima de 40 °C, embora a altitude amenize as condições em partes do Aïr. Ventos secos de nordeste também transportam poeira saariana. Esses gradientes determinam os limites da agricultura de sequeiro e das pastagens, tornando os meios de subsistência altamente sensíveis ao atraso das chuvas, à seca e ao calor. Tempestades intensas também podem provocar enxurradas e cheias dos rios, enquanto o estresse sobre as águas subterrâneas, a erosão do solo e a degradação da terra aumentam a pressão em torno das zonas cultivadas e de pastoreio.
As zonas ambientais mudam rapidamente de acordo com a precipitação. No sudoeste, savanas sudanesas e sahelianas sustentam terras cultivadas, vegetação de galeria e áreas úmidas do rio Níger; mais ao norte, gramíneas e arbustos espinhosos rareiam até dar lugar a estepe, dunas, deserto rochoso e habitats montanhosos isolados. O complexo transfronteiriço W-Arly-Pendjari, que inclui o Parque Nacional W do Níger, protege um importante ecossistema de savana da África Ocidental. No norte, as Reservas Naturais de Aïr e Ténéré abrangem cerca de 77.360 quilômetros quadrados de habitats montanhosos e desérticos do Saara. O uso humano da terra concentra-se principalmente na faixa sul: milheto e sorgo predominam entre os cereais de sequeiro, o feijão-caupi é uma cultura importante e a criação de gado conecta economias pastoris e agrícolas em todo o Sahel. A irrigação é mais significativa ao longo do rio Níger e ao redor de outras fontes de água confiáveis e oásis. O crescimento populacional, a pressão do cultivo e a variabilidade das chuvas intensificam a competição por solos férteis, pastagens, áreas arborizadas e água.
Muito antes das fronteiras modernas, o território do Níger formava uma zona de encontro entre rotas de caravanas saarianas e as sociedades agrícolas do Sahel ocidental e central. Sítios arqueológicos e arte rupestre no Aïr e no Ténéré preservam evidências de ocupação humana durante fases climáticas anteriores e mais úmidas, enquanto comunidades pastoris e mercantis posteriores se adaptaram à aridificação progressiva. Desde o período medieval, diferentes partes do atual país estiveram ligadas a mundos políticos distintos, e não a um único Estado predecessor. A região do rio Níger no sudoeste interagia com a esfera songhai centrada em Gao; a faixa centro-sul estava ligada a Estados e cidades comerciais de língua hauçá que se estendiam pelo que hoje é a fronteira Níger-Nigéria; e o sudeste estava inserido na influência mais ampla de Kanem-Bornu ao redor do lago Chade. No norte, confederações tuaregues controlavam rotas e oásis, enquanto Agadez se desenvolveu a partir do século XV como sede do Sultanato de Aïr e importante centro de intercâmbio transaariano. O islã se difundiu por meio de comerciantes, estudiosos e Estados sahelianos, criando raízes profundas ao mesmo tempo que coexistia com instituições sociais mais antigas. As transformações do século XIX, incluindo a expansão do Califado de Sokoto ao sul da atual fronteira, remodelaram ainda mais o poder regional antes do início da penetração militar francesa no fim do século XIX.
A conquista francesa foi desigual e violenta, especialmente onde a geografia desértica e a resistência organizada dificultaram o controle militar. A França criou um território militar por volta de 1900, reprimiu grandes movimentos de resistência, incluindo a revolta de Kaocen de 1916–17, e transformou o Níger em colônia separada dentro da África Ocidental Francesa em 1922; as fronteiras coloniais reuniram comunidades cujas redes econômicas e políticas continuavam atravessando as fronteiras com Nigéria, Mali, Chade e o Saara. Infraestrutura e educação permaneceram limitadas e concentradas em torno de prioridades administrativas. O Níger tornou-se república autônoma dentro da Comunidade Francesa em 1958 e independente em 3 de agosto de 1960. O Estado pós-colonial passou então por ciclos repetidos de governos civis e militares: a Primeira República terminou em um golpe de 1974 durante uma seca severa e uma crise política; a política multipartidária se abriu na década de 1990, mas houve golpes em 1996 e 1999, e outro golpe ocorreu após a crise constitucional de 2009–10. As eleições de 2011 restauraram o governo civil, e a eleição de 2020–21 produziu a primeira transferência entre presidentes eleitos. Essa sequência terminou com a tomada militar do poder em 26 de julho de 2023. Uma Carta da Refundação adotada em 26 de março de 2025 agora fornece o marco para uma transição liderada pelos militares e um mandato presidencial renovável de cinco anos.
A economia do Níger combina agricultura dependente das chuvas e pecuária, serviços urbanos, comércio e um setor extrativo em crescimento. A agricultura sustenta uma grande parcela das famílias e do abastecimento alimentar, mas a produção pode variar acentuadamente com a precipitação. Urânio, ouro e petróleo são os principais recursos extrativos, e a importância do petróleo aumentou depois que as exportações de óleo cru pelo oleoduto Níger-Benim, com cerca de 1.980 quilômetros, começaram em maio de 2024, dos campos de Agadem até o terminal de Sémé. Dados do Banco Mundial situam o crescimento real do PIB em 10,3% em 2024, impulsionado em grande parte pelo petróleo e por uma temporada agrícola mais forte; sua avaliação atual projetou crescimento de cerca de 6,5% para 2025. O rápido crescimento populacional, a baixa produtividade, a informalidade, a industrialização limitada, a insegurança e a exposição climática, no entanto, impedem que um crescimento agregado elevado se traduza automaticamente em ganhos amplos para as famílias. O Níger continua usando o franco CFA da África Ocidental por meio da União Monetária da África Ocidental. Por isso, os esforços de diversificação enfatizam irrigação, agroprocessamento, eletricidade, transporte, capital humano e maior geração de valor doméstico a partir da produção mineral e petrolífera.
O censo do Níger de 2012 contou 17.138.707 pessoas; como um quinto censo ainda estava sendo preparado em 2026, os totais posteriores continuam sendo projeções, e não uma nova contagem censitária. O instituto nacional de estatística projetou cerca de 28,6 milhões de habitantes para 2026, enquanto as Nações Unidas estimaram aproximadamente 27,9 milhões para 2025. A densidade média é de pouco mais de 20 pessoas por quilômetro quadrado, mas isso oculta uma concentração extrema: a maior parte da população vive na faixa sul próxima à Nigéria, no vale do rio Níger e em zonas agrícolas estabelecidas, enquanto o norte saariano é muito pouco povoado. O Níger continua predominantemente rural, embora Niamey tenha crescido rapidamente e Maradi, Zinder, Tahoua e Agadez funcionem como polos das economias regionais. As oito regiões de primeira ordem do país são Agadez, Diffa, Dosso, Maradi, Niamey, Tahoua, Tillabéri e Zinder, com departamentos e comunas abaixo delas. Comunidades hauçá, zarma-songhai, fulani, tuaregue, kanuri, toubou e outras se sobrepõem a essas fronteiras e mantêm extensos vínculos transfronteiriços.
Idioma e religião refletem as conexões regionais do Níger. A Carta da Refundação de 2025 designou o hauçá como idioma nacional e tornou francês e inglês idiomas de trabalho, substituindo o arranjo constitucional anterior em que o francês tinha status oficial. O hauçá predomina em grande parte da faixa comercial centro-sul e conecta estreitamente o Níger ao norte da Nigéria; o zarma-songhai é especialmente importante no oeste, o fulfulde entre comunidades fulani dispersas, o tamajaq entre populações tuaregues e o kanuri no sudeste, ao lado de várias outras línguas sahelianas e saarianas. O islã é de forma esmagadora a religião majoritária: fontes oficiais e internacionais situam os muçulmanos bem acima de 98% da população, predominantemente dentro de tradições sunitas, com comunidades cristãs e de religiões indígenas muito menores. A vida cultural é igualmente plural. O centro histórico de Agadez preserva arquitetura de terra moldada pelo comércio saariano e pela história política tuaregue, enquanto poesia oral, radiodifusão e literatura em língua hauçá, tradições artesanais e música popular conectam identidades locais a redes culturais sahelianas mais amplas.
A infraestrutura reflete a geografia sem litoral do Níger. As estradas transportam quase toda a carga e o tráfego de passageiros de longa distância, com eixos principais ligando Niamey, por Dosso, em direção ao Benim; para leste, por Maradi e Zinder; para norte, em direção a Agadez; e para sudoeste, rumo a Burkina Faso e ao corredor de Lomé. A estrada Zinder-Agadez conecta o populoso sul às zonas mineradoras, pastoris e saarianas; o Banco Mundial aprovou financiamento adicional para melhorias em abril de 2025. O Níger não dispõe de uma ligação ferroviária funcional contínua até um porto marítimo, por isso o comércio atlântico depende de corredores rodoviários pelos países vizinhos, enquanto o oleoduto até Sémé oferece uma rota dedicada de exportação. O Aeroporto Internacional Diori Hamani, em Niamey, é a principal porta de entrada da aviação internacional. O acesso e a confiabilidade da eletricidade continuam sendo grandes limitações fora das cidades, estimulando investimentos na expansão da rede, em sistemas solares e no projeto hidrelétrico de Kandadji, no rio Níger. Um pacto nacional de energia de 2025 estabeleceu a meta de elevar o acesso à eletricidade a pelo menos 60% até 2030.
A posição regional do Níger está sendo remodelada pelo realinhamento político e pela insegurança. Burkina Faso, Mali e Níger deixaram formalmente a ECOWAS em 29 de janeiro de 2025 e estão aprofundando a cooperação por meio da Confederação dos Estados do Sahel, enquanto o Níger permanece na União Econômica e Monetária da África Ocidental e no sistema do franco CFA. Sua geografia econômica ainda aponta para o sul: a Nigéria é o maior mercado vizinho, o Benim conduz o oleoduto até o Atlântico, e os corredores por Burkina Faso e pela costa da África Ocidental continuam essenciais. Pressões de segurança nas áreas fronteiriças de Liptako-Gourma e na bacia do lago Chade prejudicam o comércio, os serviços públicos e o investimento. Exportações de petróleo, urânio e ouro, potencial de irrigação e uma população jovem em rápido crescimento ainda criam oportunidades se as instituições e a infraestrutura conseguirem ampliar seus benefícios. A importância do Níger no médio prazo dependerá de administrar a exposição climática, o crescimento demográfico, a dependência de commodities, a insegurança e a transição política sem enfraquecer os sistemas transfronteiriços dos quais depende uma economia saheliana sem litoral.