Marrocos ocupa o extremo noroeste da África. As estatísticas das Nações Unidas indicam uma área de superfície de cerca de 446.550 quilômetros quadrados, enquanto o uso oficial marroquino costuma apresentar um número maior ao incluir o Saara Ocidental, cuja maior parte Marrocos administra e reivindica, embora as Nações Unidas continuem tratando o território como Território Não Autônomo. O Marrocos propriamente dito faz fronteira com a Argélia a leste e com o Saara Ocidental ao sul, e também encontra os enclaves de Ceuta e Melilla, administrados pela Espanha, na costa mediterrânea. A costa atlântica se curva pelo Estreito de Gibraltar até o Mediterrâneo ocidental, situando Rabat, a capital, em uma zona norte e oeste densamente povoada cuja maior metrópole é Casablanca. No interior, o Rif se eleva ao norte; amplas planícies e planaltos atlânticos conduzem ao Médio Atlas e ao Alto Atlas, onde Jebel Toubkal atinge 4.167 metros, antes de o terreno descer pelo Anti-Atlas em direção ao sudeste árido. As bacias do Sebou, Oum Er-Rbia, Moulouya, Souss e Draa ajudam a organizar agricultura, reservatórios e povoamento nessas regiões contrastantes.
O clima varia acentuadamente conforme a latitude, a altitude e a exposição ao Atlântico. As terras baixas do norte e do oeste têm chuvas de tipo mediterrâneo concentradas do outono à primavera, com temperaturas costeiras comparativamente amenas, enquanto os planaltos do interior enfrentam maior calor no verão e frio no inverno. As cadeias do Rif e do Atlas recebem mais precipitação do que as terras baixas ao redor e podem manter neve sazonal em altitudes maiores; além delas, efeitos de sombra de chuva contribuem para condições de estepe e deserto em direção ao sudeste e ao sul. Esse gradiente torna a precipitação decisiva para colheitas de cereais, pastagens, reservatórios e recarga das águas subterrâneas. A escassez de água tornou-se, portanto, uma restrição estrutural, e não uma emergência ocasional: o Banco Mundial estimou que a disponibilidade de água renovável caiu de cerca de 2.560 metros cúbicos por pessoa em 1960 para aproximadamente 620 em 2020. Secas recorrentes, esgotamento das águas subterrâneas e aumento da demanda de cidades, irrigação e indústria intensificaram a pressão sobre as bacias hidrográficas, enquanto inundações repentinas, erosão do solo e exposição costeira criam riscos diferentes nas partes mais úmidas ou urbanizadas do país.
Essas divisões climáticas sustentam ecossistemas que vão de florestas de sobreiros e cedros no Rif e no Médio Atlas a áreas elevadas com zimbros, zonas úmidas atlânticas, estepes, bosques de argânia, oásis e vegetação saariana. O sudoeste está especialmente associado à Argania spinosa: a Reserva da Biosfera Arganeraie, da UNESCO, cobre cerca de 2,5 milhões de hectares entre o Alto Atlas, o Anti-Atlas e o Atlântico, onde a árvore endêmica sustenta tanto a biodiversidade quanto os meios de subsistência rurais e a economia do óleo de argan. A agricultura segue a mesma geografia ambiental. Cereais de sequeiro e pecuária dominam grandes partes das planícies e terras altas do norte e do centro, enquanto distritos irrigados produzem azeitonas, cítricos, hortaliças, frutas e horticultura voltada à exportação, sobretudo em Souss-Massa e outras bacias desenvolvidas. Terras florestadas representavam cerca de 12,9% da área terrestre nacional na série mais recente da ONU para 2022. A pressão de seca, sobrepastoreio, incêndios, erosão e aumento da demanda por água afeta tanto habitats naturais quanto sistemas agrícolas, tornando barragens, aquíferos e, cada vez mais, a dessalinização centrais na relação entre uso da terra e povoamento.
A ocupação humana do atual Marrocos antecede em muito a história escrita, e a população se desenvolveu a partir de profundas raízes amazigh moldadas por conexões mediterrâneas e saarianas. Comerciantes fenícios e, mais tarde, cartagineses estabeleceram contatos costeiros, enquanto Roma incorporou o norte à Mauritânia Tingitana depois do século I d.C.; Volubilis tornou-se uma importante cidade provincial sem eliminar a continuidade política indígena além das zonas controladas por Roma. A expansão árabe-islâmica alcançou o Magrebe ocidental no início do século VIII, após o que a islamização e a arabização avançaram gradualmente por meio de alianças, migração, erudição e formação de Estados. Os idríssidas estabeleceram uma entidade política influente no fim do século VIII, e Fez, fundada no século IX, tornou-se um centro político, comercial e religioso. A partir do século XI, os impérios almorávida e almóada, liderados por amazighs, ligaram Marrocos a al-Andalus e às redes transaarianas, tendo Marrakech como uma importante capital; mais tarde, o domínio merínida devolveu proeminência a Fez. A expansão costeira portuguesa e espanhola a partir do século XV, junto com a migração muçulmana e judaica da Península Ibérica, remodelou ainda mais o comércio urbano antes de as dinastias saadiana e, depois, alauíta consolidarem o poder.
A pressão europeia se intensificou nos séculos XIX e início do XX, à medida que França e Espanha ampliaram sua influência política, comercial e militar. O Tratado de Fez de 30 de março de 1912 estabeleceu um protetorado francês sobre a maior parte de Marrocos; a Espanha administrou zonas no norte e no sul, enquanto Tânger mais tarde adquiriu um regime internacional. O domínio colonial alterou a posse da terra, a infraestrutura e o desenvolvimento urbano e criou desigualdades políticas, enquanto a resistência variou de movimentos armados, incluindo a revolta do Rif da década de 1920, à organização nacionalista nas cidades. O exílio do sultão Mohammed V em 1953 fortaleceu o movimento de independência, e a França reconheceu a independência marroquina em 1956, seguida pelo fim da maior parte dos arranjos do protetorado espanhol. Mais tarde, Marrocos recuperou Tarfaya e Ifni, enquanto a retirada espanhola do Saara Ocidental em 1975–76 abriu um conflito entre Marrocos e a Frente Polisário; um cessar-fogo apoiado pela ONU começou em 1991, mas o status final do território continua sem solução. A política pós-independência concentrou-se em uma monarquia forte, confrontos periódicos e reforma institucional gradual. A constituição de 2011 manteve a monarquia constitucional, ao mesmo tempo que ampliou as instituições eleitas e reconheceu o tamazight, ao lado do árabe, como idioma oficial.
A economia de Marrocos combina uma agricultura que continua altamente sensível às chuvas com manufatura e serviços cada vez mais diversificados. Contas nacionais provisórias do Alto Comissariado de Planejamento situaram o crescimento real do PIB em 4,9% em 2025, acima dos 4,4% de 2024, com recuperação da agricultura e expansão também da atividade não agrícola. A mineração de fosfato e a produção de fertilizantes continuam sendo indústrias estratégicas de exportação, mas a fabricação de automóveis e componentes aeroespaciais, o processamento agroalimentar, os têxteis, o turismo, a construção, as finanças e os serviços empresariais ampliaram a base produtiva. A União Europeia foi o maior parceiro de Marrocos no comércio de bens em 2025, respondendo por 33,7% de seu comércio de mercadorias, reflexo da proximidade e das cadeias industriais de suprimentos que ligam fábricas marroquinas aos mercados europeus. Investimentos em portos, ferrovias e autoestradas reforçaram essa integração. O crescimento, porém, não eliminou as pressões do mercado de trabalho: o HCP informou desemprego de 13,0% em 2025, com taxas muito mais altas entre jovens e graduados, enquanto o subemprego e o trabalho informal continuam importantes. Escassez de água, necessidade de energia importada e oportunidades regionais desiguais continuam limitando a produtividade e a renda das famílias.
O censo nacional de 2024 registrou uma população legal de 36.828.330 em 1º de setembro de 2024, incluindo 36.680.178 cidadãos marroquinos e 148.152 residentes estrangeiros; o crescimento populacional médio anual havia desacelerado para 0,85% desde 2014. O povoamento concentra-se fortemente no norte e centro voltados para o Atlântico, na bacia do Saïs, no norte mediterrâneo e nos vales irrigados, enquanto montanhas, estepes e zonas desérticas são muito menos povoadas. A urbanização chegou a 62,8% em 2024, com 23,1 milhões de pessoas vivendo em áreas urbanas. Casablanca continuava sendo a maior cidade, com cerca de 3,24 milhões de habitantes, seguida por Tânger, com 1,28 milhão, e Fez, com 1,18 milhão; Marrakech ultrapassou um milhão, enquanto Rabat integra uma conurbação maior com Salé e Temara. A concentração econômica em torno de Casablanca, do eixo Rabat–Salé, de Tânger e de outros centros costeiros ajuda a explicar o crescimento metropolitano contínuo. Administrativamente, o Estado está organizado em 12 regiões, 62 províncias e 13 prefeituras, com conselhos regionais e locais eleitos funcionando ao lado de autoridades territoriais nomeadas pelo governo central.
Árabe e tamazight são os idiomas oficiais segundo a constituição de 2011, mas a vida linguística cotidiana é mais variada. O árabe marroquino, ou darija, é a língua franca falada mais difundida, enquanto variedades amazigh, incluindo tarifit, tamazight do Atlas Central e tashelhit, continuam importantes no Rif, no Atlas e no sudoeste. O árabe padrão predomina em muitos domínios formais; o francês é amplamente usado nos negócios, no ensino superior e em partes da administração, enquanto o espanhol mantém presença regional no norte. O islamismo é a religião do Estado, e a prática sunita maliquita moldou historicamente as instituições e a cultura pública; Marrocos também preserva um importante legado histórico judaico, apesar da comunidade atual muito menor. A identidade cultural desenvolveu-se por meio de intercâmbios amazigh, árabes, andalusinos, saarianos, judaicos, mediterrâneos e subsaarianos. A medina de Fez incorpora tradições medievais de erudição e artesanato, enquanto a música e o ritual gnawa, a música andalusina, a poesia malhun, os azulejos zellij e as tradições regionais de têxteis e marcenaria refletem histórias sociais sobrepostas, e não categorias étnicas isoladas.
A infraestrutura de transporte é mais densa ao longo do corredor urbano-industrial atlântico e mediterrâneo. A Autoroutes du Maroc opera cerca de 1.800 quilômetros de autoestradas que ligam as maiores áreas metropolitanas, portos, aeroportos e zonas industriais, enquanto a qualidade das estradas secundárias é menos uniforme em distritos remotos de montanha e deserto. As ferrovias conectam as principais cidades e centros de carga do norte e do centro; o Al Boraq, inaugurado em 2018 entre Tânger e Casablanca, foi o primeiro serviço ferroviário de alta velocidade da África, e a rede de alta velocidade está sendo estendida em direção a Marrakech. Tanger Med é a principal plataforma logística marítima, movimentando cerca de 10,24 milhões de TEU em 2024 e atendendo tráfego de contêineres, automóveis e roll-on/roll-off ligado a zonas industriais próximas. Casablanca Mohammed V é a principal porta de entrada aérea internacional, complementada por grandes aeroportos em Marrakech, Agadir e Tânger. A capacidade elétrica chegou a 12.016 MW em 2024, com fontes renováveis representando 45,3% da capacidade instalada; a rede nacional de transmissão alcançou 29.806 km, refletindo investimentos contínuos em energia eólica, solar e integração da rede.
O peso regional de Marrocos deriva de sua geografia atlântico-mediterrânea, da proximidade com a Europa, dos vínculos comerciais com a África Ocidental e de uma estratégia centrada em logística, manufatura, fertilizantes e energia renovável. O país pertence às Nações Unidas, à União Africana e à Organização Mundial do Comércio, enquanto acordos comerciais e conexões de transporte o ligam estreitamente à Europa; a UE absorveu cerca de um terço das exportações marroquinas de bens em 2025. Tanger Med e a expansão dos corredores ferroviários e rodoviários reforçam seu papel como plataforma de produção e distribuição entre Europa e África. Ao mesmo tempo, a disputa não resolvida sobre o Saara Ocidental e a rivalidade com a Argélia limitam a integração do Magrebe e complicam a diplomacia regional. O desenvolvimento de médio prazo dependerá de administrar um grave estresse hídrico, criar empregos produtivos para uma população mais urbana e escolarizada, reduzir disparidades territoriais e compatibilizar a expansão da energia renovável com a demanda industrial e a capacidade da rede. A importância de Marrocos depende, portanto, de sua capacidade de converter conectividade geográfica e infraestrutura acumulada em um crescimento mais amplo, mais eficiente no uso da água e mais intensivo em empregos.