A Argélia ocupa 2.381.741 quilômetros quadrados, o que a torna o maior país da África em área e o décimo maior do mundo. Situa-se no Magrebe central, com o Mediterrâneo ao norte e fronteiras terrestres com Tunísia, Líbia, Níger, Mali, Mauritânia, Saara Ocidental e Marrocos. Sua escala engana nos mapas populacionais: a população concentra-se de forma esmagadora na estreita faixa setentrional, enquanto a maior parte do território avança profundamente pelo Saara. Ao longo da costa e logo no interior, o Atlas do Tell forma uma cadeia descontínua de montanhas e bacias férteis ao redor de cidades como Argel, Orã e Annaba. Ao sul, a paisagem se abre para os Altos Planaltos, uma ampla zona de estepe, lagos salgados e planícies elevadas, limitada mais ao sul pelo Atlas Saariano. Além dessa transição, o país se estende por ergs de areia moldada pelo vento, hamadas pedregosas, vales secos e sistemas isolados de oásis. No extremo sul, o maciço de Ahaggar, ou Hoggar, ergue-se abruptamente do deserto; o monte Tahat chega a cerca de 3.000 metros, dando à Argélia uma altitude de escala alpina dentro de uma das grandes regiões áridas do mundo.
O clima acompanha essa geografia norte–sul, em vez de obedecer a um único padrão nacional. A costa e as encostas montanhosas do norte têm regime mediterrâneo, com a maior parte da precipitação entre o outono e a primavera e verões geralmente quentes e secos. A chuva diminui acentuadamente nos planaltos interiores e se torna muito irregular ao sul do Atlas Saariano, onde a evaporação supera amplamente a precipitação e são comuns grandes amplitudes térmicas diárias. A altitude complica o padrão: cidades em áreas elevadas podem ter invernos frios mesmo quando a costa permanece relativamente amena, enquanto o interior saariano enfrenta calor extremo no verão e rápido resfriamento após o pôr do sol. A escassez de água é, portanto, uma limitação estrutural, e não apenas um fenômeno do deserto. Dados do Banco Mundial indicam que as retiradas anuais de água doce da Argélia correspondiam a 92 % dos recursos internos renováveis em 2022, uma medida da pressão exercida por cidades, agricultura e indústria sobre águas superficiais e subterrâneas. Secas recorrentes afetam reservatórios, lavouras e áreas de pastagem, enquanto chuvas intensas podem provocar inundações danosas em bacias hidrográficas densamente ocupadas do norte. O aquecimento de longo prazo e as mudanças nos padrões de precipitação devem intensificar essas pressões, especialmente onde a agricultura e o pastoreio já operam próximos dos limites climáticos.
A vegetação, de modo correspondente, concentra-se no norte e em refúgios ecológicos dispersos. Dados do Banco Mundial classificaram apenas 0,8 % da área terrestre da Argélia como floresta em 2023, principalmente nas zonas do Tell e montanhosas, onde pinheiro-de-alepo, sobreiro e azinheira, cedro e matagal mediterrâneo sobrevivem em faixas fragmentadas. Incêndios, erosão, expansão urbana e a pressão de longo prazo causada pelo pastoreio e cultivo afetam esses ecossistemas setentrionais. Mais para o interior, a estepe, e não a floresta, passa a definir a paisagem: estimativas da FAO situam as pastagens de estepe da Argélia em cerca de 20 milhões de hectares, uma zona economicamente importante para ovinos e outros animais de criação, mas exposta à seca, ao sobrepastoreio e à desertificação. O Saara não é biologicamente uniforme; oásis, maciços montanhosos, áreas úmidas sazonais e depressões alimentadas por águas subterrâneas criam habitats fortemente localizados. Tassili n’Ajjer ilustra como a história ambiental e humana se sobrepõe: seu registro de arte rupestre contém mais de 15.000 desenhos e gravuras que documentam mudanças na fauna, no clima e na atividade humana desde cerca de 6000 a.C. até os primeiros séculos d.C. O uso moderno da terra, portanto, abrange agricultura intensiva nas planícies do norte, pastoreio extensivo pela estepe e agricultura de oásis altamente concentrada em um deserto que, fora desses pontos, é pouco habitado.
A ocupação humana é muito anterior ao Estado moderno. Comunidades pré-históricas adaptaram-se repetidamente às mudanças climáticas do Saara, enquanto as sociedades amazigh formaram a base cultural indígena duradoura do norte da Argélia. Na Antiguidade, o comércio costeiro conectou a região a redes fenícias e cartaginesas antes que os reinos númidas surgissem como importantes potências do norte da África. A expansão romana incorporou posteriormente grande parte do norte a províncias imperiais cujas cidades agrícolas, estradas e centros monumentais deixaram um denso registro arqueológico; Timgad, fundada como colônia militar romana sob Trajano em 100 d.C., e Tipasa, que passou de entreposto comercial púnico a centro romano, estão entre os exemplos preservados mais claros. Após o domínio vândalo e bizantino, exércitos árabe-muçulmanos chegaram ao Magrebe nos séculos VII e VIII. O Islã tornou-se dominante, enquanto o árabe se difundiu gradualmente ao lado de línguas amazigh e tradições políticas persistentes. A Argélia medieval foi governada por sucessivas dinastias ou incorporada a elas, incluindo Estados amazigh de base local, antes que a Regência de Argel passasse a integrar o sistema imperial otomano no século XVI. Suas instituições e conexões mediterrâneas constituíam a ordem política imediata confrontada pela invasão francesa de 1830.
A conquista francesa destruiu essa ordem, mas não estabeleceu rapidamente o controle sobre todo o território. O emir Abd al-Qadir organizou um dos movimentos de resistência mais importantes no oeste desde a década de 1830 até sua rendição em 1847, enquanto a expansão militar, a colonização de povoamento e a expropriação de terras continuaram em outras áreas por décadas. A Argélia costeira foi formalmente incorporada à França em 1848, criando uma forma incomumente direta de domínio colonial em que uma numerosa população de colonos europeus desfrutava de privilégios políticos negados à maioria dos argelinos muçulmanos. As desigualdades resultantes alimentaram movimentos nacionalistas durante o século XX, e a repressão violenta em torno das manifestações de Sétif e Guelma em 1945 aprofundou a ruptura. Em 1º de novembro de 1954, a Frente de Libertação Nacional iniciou a insurreição que se transformou na Guerra da Argélia. Oito anos de guerra de guerrilha, contrainsurgência, deslocamento em massa e crise política terminaram com os Acordos de Évian e a independência em julho de 1962. A FLN passou então a dominar uma república centralizada e dirigida pelo Estado, que nacionalizou recursos estratégicos e usou a renda dos hidrocarbonetos para industrialização e programas sociais. A abertura política após os distúrbios de 1988 foi seguida pelo cancelamento do processo eleitoral em 1992 e por um conflito devastador com grupos armados islamistas durante a década de 1990. A presidência de Abdelaziz Bouteflika, iniciada em 1999, trouxe políticas de reconciliação e maior estabilidade, mas também consolidou estruturas políticas contestadas em 2019 pelo movimento de protesto em massa Hirak. Abdelmadjid Tebboune, eleito pela primeira vez naquele ano, iniciou um segundo mandato presidencial após ser reeleito em setembro de 2024.
Os hidrocarbonetos continuam sendo o fato central da economia moderna da Argélia. O Banco Mundial calcula que petróleo e gás representaram 13 % do PIB, 83 % das exportações e 46 % das receitas orçamentárias, em média durante 2020–2024, proporcionando ao Estado uma renda energética substancial, mas deixando as finanças públicas e as contas externas expostas aos preços do petróleo e às cotas de produção. Dados do Banco Mundial registram crescimento real do PIB de 3,8 % em 2025 e PIB nominal de cerca de US$ 287 bilhões, enquanto a taxa de desemprego modelada ficou em 11,6 %. O Estado mantém um papel econômico amplo por meio de empresas públicas, investimentos em energia, subsídios e gastos com infraestrutura, mas a política econômica tem dado ênfase crescente ao investimento privado e à produção não ligada aos hidrocarbonetos. Medidas recentes incluem reformas de investimento, bancárias e fundiárias, a adesão da Argélia à Área de Livre Comércio Continental Africana em 2024 e uma nova lei de mineração em 2025. A agricultura continua importante para o emprego e o abastecimento de alimentos no norte e nos Altos Planaltos, mas é limitada pela variabilidade das chuvas e pela disponibilidade de água. Indústria de transformação, construção, mineração e serviços oferecem uma base de atividade mais ampla, mas o problema central do desenvolvimento continua sendo a diversificação: converter receitas energéticas e um grande mercado interno em emprego produtivo, especialmente para trabalhadores mais jovens, sem tornar os gastos públicos permanentemente dependentes de ciclos favoráveis dos hidrocarbonetos.
A geografia demográfica da Argélia é quase o inverso de sua geografia territorial. O Banco Mundial estimou a população em aproximadamente 47,44 milhões em 2025, com cerca de 76 % vivendo em áreas urbanas, mas a esmagadora maioria permanece concentrada nas zonas costeiras do norte, no Tell e nos Altos Planaltos, e não no imenso sul saariano. Argel domina o sistema urbano nacional, seguida por grandes centros metropolitanos e regionais, entre eles Orã, Constantina e Annaba, enquanto os assentamentos do sul são separados por distâncias muito maiores e frequentemente dependem de funções ligadas a oásis, mineração, energia ou administração. A Argélia realizou seu sexto Recenseamento Geral da População e Habitação entre 25 de setembro e 16 de outubro de 2022, embora o total nacional principal desse levantamento não apareça no material censitário da ONS acessível ao público; o último marco da ONS plenamente publicado continua sendo o censo de 2008, que contabilizou 34.452.759 habitantes. A geografia administrativa mudou mais recentemente do que muitas referências demográficas indicam. A Lei 26-06, de 4 de abril de 2026, publicada no Diário Oficial em 5 de abril, elevou o país a 69 wilayas, ampliando a administração em nível provincial sobretudo nos Altos Planaltos e no sul; as wilayas, por sua vez, são divididas em comunas, as unidades básicas de governo local.
Idioma e cultura refletem a mesma história em camadas. O marco constitucional da Argélia de 2020 reconhece o árabe e o tamazight como línguas nacionais e oficiais. O árabe padrão moderno é central no governo, na educação formal e em grande parte da mídia, enquanto o árabe argelino, ou darija, é a principal língua cotidiana para grande parte da população. O tamazight compreende diversas variedades regionais, incluindo cabila na Cabília, chaoui no Aurès, mozabita no M’Zab e variedades tuaregues no Saara. O francês não tem status oficial, mas continua amplamente usado no ensino superior, nos negócios, em áreas técnicas, no setor editorial e em partes da mídia, um legado persistente do período colonial. O Islã oferece um importante referencial religioso comum, predominantemente sunita, enquanto o M’Zab preserva uma comunidade ibadita de longa data e uma tradição urbana própria. A expressão cultural não se divide de forma nítida entre componentes árabes, amazigh, mediterrâneos e africanos; essas heranças se sobrepõem repetidamente. O raï, enraizado sobretudo no oeste da Argélia e associado a Orã, foi inscrito pela UNESCO na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2022, enquanto a tradição musical e poética mais antiga do Ahellil de Gourara reflete a interação saariana entre língua, ritual e memória oral. Os assentamentos fortificados do M’Zab, desenvolvidos a partir do século X, oferecem um equivalente arquitetônico em cidades cujas formas compactas respondem diretamente ao clima desértico e à escassez de água.
A infraestrutura de transporte é mais densa onde a população também se concentra. Uma rede de autoestradas e rodovias nacionais conecta as principais cidades, portos e áreas industriais do norte, com o corredor Leste–Oeste formando o principal eixo rodoviário entre a costa e o interior e longas rotas norte–sul estendendo-se em direção às capitais provinciais saarianas e ao Sahel. Historicamente, as ferrovias se concentraram na faixa norte; a operadora nacional SNTF informa 4.498 quilômetros de linhas ferroviárias cobrindo 30 wilayas, embora grandes obras estejam ampliando rapidamente o sistema além desse número publicado para a rede. Em janeiro de 2026, começaram as operações de passageiros na ferrovia mineradora ocidental de 950 quilômetros, ligando Béchar, Béni Abbès, Tindouf e a zona de minério de ferro de Gara Djebilet, uma das maiores tentativas recentes de conectar o extremo sudoeste à infraestrutura industrial nacional. Em julho de 2026, o Banco Africano de Desenvolvimento aprovou US$ 878 milhões para uma segunda fase da ferrovia Laghouat–Ghardaïa–El Meniaa, de 495 quilômetros, parte de um esforço mais amplo para reforçar a conectividade norte–sul. O comércio marítimo é movimentado por portos como Argel, Orã, Béjaïa, Annaba, Arzew e Skikda, sendo os dois últimos especialmente importantes para o sistema energético. Argel é a principal porta de entrada aérea internacional, enquanto os aeroportos regionais têm importância incomum porque as distâncias saarianas tornam longas as viagens rodoviárias e ferroviárias. O transporte urbano se expandiu com sistemas de metrô, bonde e trens suburbanos, mas a diferença entre o corredor norte bem conectado e as regiões desérticas pouco povoadas continua fundamental para a geografia prática dos deslocamentos.
A posição internacional da Argélia decorre de sua geografia, história revolucionária e recursos energéticos. O país ingressou nas Nações Unidas em 8 de outubro de 1962, esteve entre os Estados africanos que criaram a Organização da Unidade Africana em 1963 e integra a OPEP desde 1969; também atua na União Africana, Liga Árabe e em outras instituições mediterrâneas, africanas e do setor energético. Sua política externa tradicionalmente enfatiza soberania, não intervenção, diplomacia anticolonial e apoio à solução negociada de conflitos regionais, enquanto sua localização lhe confere interesses diretos tanto na segurança do Mediterrâneo quanto na instabilidade que afeta o Sahel. A Europa continua importante como mercado de energia, e gasodutos e infraestrutura de GNL dão ao gás natural argelino um peso estratégico superior à participação do país na economia mundial. Ao mesmo tempo, novas ferrovias, projetos de mineração e a integração à AfCFTA apontam para vínculos comerciais mais fortes em direção ao sul, através da África. A Argélia entra na parte final da década de 2020 com ativos incomuns: escala continental, recursos substanciais de hidrocarbonetos e minerais, amplo potencial solar, um grande mercado interno e uma posição estratégica entre a Europa e a África Subsaariana. Sua influência de longo prazo, porém, dependerá menos do tamanho territorial ou das reservas energéticas por si sós do que de sua capacidade de administrar o estresse hídrico, criar empregos produtivos, reduzir a dependência fiscal dos hidrocarbonetos e transformar novos investimentos em transporte e indústria em uma economia mais diversificada.